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Crise de memória RAM vai piorar e preços vão subir ainda mais até 2028, alerta CEO da Micron

Demanda explosiva por chips HBM e DRAM em data centers de inteligência artificial esgota produção das fábricas e deve manter mercado sob forte pressão por anos.

Marcus Tavares
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Módulos de memória RAM DDR5 e chips semicondutores HBM em bancada de testes com data center ao fundo

Quem planeja montar ou atualizar um computador, adquirir um novo console ou trocar de smartphone nos próximos anos deve se preparar para custos significativamente mais elevados em componentes de memória. A Micron Technology, uma das três maiores fabricantes globais de semicondutores de memória ao lado de Samsung e SK Hynix, emitiu um alerta severo: a escassez global de memória RAM e chips de armazenamento deve se agravar ainda mais e se estender pelo menos até 2028.

O alerta foi detalhado pelo próprio CEO da companhia, Sanjay Mehrotra, durante a conferência de divulgação dos resultados fiscais mais recentes da empresa. Segundo o executivo, o mercado atravessa um descompasso estrutural entre oferta e demanda que não dá sinais de alívio no curto ou médio prazo.

A corrida pela IA e a migração de fábricas para memórias HBM

O principal catalisador desse aperto histórico no fornecimento de semicondutores é a demanda astronômica por infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) em data centers corporativos de gigantes como Microsoft, Google, Meta e Amazon. Os aceleradores gráficos de IA de última geração exigem volumes massivos de memória de alta largura de banda (HBM – High Bandwidth Memory).

Para atender aos contratos bilionários dessas big techs, as fabricantes foram forçadas a realocar grande parte de suas linhas de wafer de silício da produção de DRAM padrão (como módulos DDR5 para computadores e LPDDR5 para celulares) diretamente para as pilhas verticais de HBM. Como os chips HBM exigem processos de empacotamento 3D muito mais densos e complexos, cada wafer destinado a HBM consome até o triplo da capacidade fabril que produziria memórias RAM convencionais.

Como resultado direto, a capacidade de produção da Micron para os próximos anos já se encontra praticamente 100% vendida antecipadamente para clientes corporativos de computação de alto desempenho.

Impacto direto no bolso do consumidor final

Esse estrangulamento na cadeia de suprimentos gera dois impactos imediatos e prolongados para o mercado consumidor:

  • Falta de Estoque no Varejo: Com a maior fatia das linhas industriais dedicada aos chips de IA, a oferta global de pentes de memória RAM DDR4, DDR5 e módulos para dispositivos móveis permanece muito abaixo do volume demandado pelo mercado geral.
  • Escalada Contínua de Preços: A lei da oferta e da procura, combinada à concentração da manufatura mundial em pouquíssimos players, tem inflacionado o custo por gigabyte tanto em memórias voláteis quanto em memórias flash NAND para SSDs.

Mehrotra foi enfático ao rebater previsões de analistas de mercado que esperavam algum tipo de normalização a partir do próximo ano: “Em 2027, assim como em 2028, vemos a demanda superando a oferta. Na verdade, prevemos um aperto ainda maior na indústria em 2027 e 2028 em comparação com 2026. O ambiente de oferta e demanda só está ficando mais restrito, e não temos visibilidade de quando retornará ao equilíbrio”, destacou o executivo.

Investimentos bilionários e novas fábricas só surtirão efeito no fim da década

Para tentar expandir sua produção, a Micron anunciou um plano agressivo de investimentos de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 130 bilhões) voltado à construção de novas megafábricas de chips. No entanto, a construção, instalação de maquinário de litografia ultravioleta extrema (EUV) e a calibração de fábricas de semicondutores levam anos para atingir volume comercial pleno.

Com as novas instalações previstas para operar em capacidade estável somente por volta de 2028, o setor continuará operando no limite de sua capacidade física por vários trimestres, sustentando margens de lucro recordes para os fabricantes e mantendo os preços dos eletrônicos de consumo sob forte pressão inflacionária em todo o mundo.

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Marcus Tavares

Marcus é o fundador da Seletronic. Além disso, é programador, e editor no site. Ama ajudar as pessoas a resolverem problemas com tecnologia, por isso criou esse site. Segundo ele: "A tecnologia foi feita para facilitar a vida das pessoas, então devemos ensinar a usá-la". Apesar de respirar tecnologia, ama plantas, animais exóticos e cozinhar.
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