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Fora dos planos: TSMC nega produção de memórias 3D DRAM a pedido da Nvidia e diz que tecnologia ainda está distante

Maior fundição de semicondutores do mundo rebate rumores de que estaria entrando no setor dominado por Samsung, SK Hynix e Micron, reafirmando foco exclusivo em chips lógicos e empilhamento avançado.

Fora dos planos: TSMC nega produção de memórias 3D DRAM a pedido da Nvidia e diz que tecnologia ainda está distante

A escassez global de memória de alto desempenho provocada pela corrida da inteligência artificial levou o mercado de semicondutores a especular um movimento sem precedentes: a entrada da TSMC na fabricação direta de módulos de memória. No entanto, a gigante taiwanesa tratou de esfriar os rumores neste fim de semana, negando oficialmente que esteja preparando linhas de produção de 3D DRAM a pedido da Nvidia, sua maior cliente no segmento de aceleradores de IA.

As especulações ganharam força após uma reportagem do portal The Information afirmar que a Nvidia — preocupada com os gargalos de fornecimento e a escalada de preços nos chips de memória — teria solicitado à TSMC que estudasse a fabricação de DRAM tridimensional de próxima geração. Segundo o relato original, a iniciativa estaria sendo avaliada internamente sob a supervisão de Hsu Kuo-chin, vice-presidente de encapsulamento avançado da TSMC e ex-chefe das operações da Micron em Taiwan.

Procurada pelo portal Tom’s Hardware para comentar o assunto, a fundição taiwanesa descartou qualquer desvio de seu modelo de negócios histórico e emitiu o seguinte posicionamento oficial:

“Por favor, observe que a TSMC se concentra em nosso negócio principal em todos os momentos, que é a fundição dedicada de circuitos integrados. Nossa missão é ser a provedora confiável de tecnologia e capacidade da indústria global de circuitos integrados lógicos pelos próximos anos.”

O que é a 3D DRAM e por que ela ainda levará anos para chegar ao mercado

Diferentemente da memória DRAM convencional (planar), que organiza as células de armazenamento em um único plano horizontal, a 3D DRAM empilha múltiplas camadas de células de memória verticalmente — de forma conceitualmente semelhante ao que já ocorre nos chips de armazenamento 3D NAND usados em SSDs modernos — para multiplicar a densidade por wafer de silício.

Embora as três gigantes que formam o oligopólio mundial de memórias — Samsung, SK Hynix e Micron — já mantenham pesquisas ativas em 3D DRAM, a tecnologia está longe de ser uma solução de curto prazo para a crise atual de suprimentos. O próprio roteiro técnico da Micron prevê pelo menos mais quatro gerações de litografia planar tradicional antes que a DRAM tridimensional atinja viabilidade comercial em larga escala, o que empurra sua adoção prática para um horizonte de pelo menos cinco anos.

Além do fator tempo, analistas apontam três barreiras técnicas e comerciais que tornam improvável uma aventura direta da TSMC na fabricação de células de memória:

  • Processos de fabricação incompatíveis: embora a TSMC lidere com folga a litografia de chips lógicos (CPUs, GPUs e NPUs), a fabricação de capacitores e células DRAM exige técnicas químicas, materiais e propriedades intelectuais completamente distintas, que a empresa não possui;
  • Risco cíclico e bilionário: o mercado de memórias é historicamente volátil, alternando períodos de escassez aguda com fases de superoferta que derrubam as margens de lucro — um risco desnecessário para uma fundição lógica altamente rentável;
  • Conflito com parceiros estratégicos e órgãos antitruste: fabricar memória própria colocaria a TSMC em rota de colisão direta com clientes e parceiros cruciais, além de atrair escrutínio regulatório sobre concentração vertical.

Chips HBM3E de 36 GB e HBM4 de 48 GB da SK Hynix, que utilizam base lógica fabricada em parceria com a TSMC

Como a TSMC já lucra com a febre das memórias de IA sem fabricar DRAM

Na prática, a TSMC não precisa construir fábricas de células DRAM do zero para abocanhar uma fatia bilionária do mercado de memórias para inteligência artificial. Hoje, a empresa já é o elo indispensável na integração das memórias HBM (High Bandwidth Memory) aos aceleradores da Nvidia e da AMD por meio de sua tecnologia de encapsulamento avançado CoWoS (Chip-on-Wafer-on-Substrate).

Mais do que apenas empacotar os chips, a geração HBM4 ampliará ainda mais o papel da fundição taiwanesa: graças à aliança firmada com a SK Hynix, a base lógica inferior (logic base die) das novas pilhas de memória passa a ser fabricada diretamente nos processos avançados da TSMC e conectada às camadas DRAM por meio de colagem híbrida SoIC (System on Integrated Chips). Assim, a companhia consegue entregar memórias personalizadas e mais rápidas para os futuros superchips da Nvidia mantendo intacta sua vocação como fundição pura de circuitos lógicos.

Rogério Tavares

Inovador tecnológico com uma paixão por desbravar os limites da pesquisa. Enquanto não estou imerso em experimentos e descobertas, domino o mundo dos jogos mobile. 🚀🎮
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