Xenogears: Fãs Criam o ‘Project Animus’ Para Reconstruir o Clássico do PS1 e Completar o Disco 2
Após 28 anos sem remasterização oficial da Square Enix, projeto independente remodela os 682 cenários do jogo, coloca batalhas de Gears a 60 FPS e torna o Disco 2 totalmente jogável.
Lançado originalmente em 1998 para o primeiro PlayStation pela então SquareSoft (atual Square Enix), Xenogears é reverenciado por muitos como um dos maiores RPGs de todos os tempos, rivalizando diretamente com clássicos absolutos como Chrono Trigger e Final Fantasy VII. Apesar de sua trama filosófica profunda e do icônico combate com mechas gigantes, o jogo carrega há 28 anos uma ferida aberta no coração dos fãs: o famigerado Disco 2.
Na época do desenvolvimento, a equipe liderada por Tetsuya Takahashi (que anos depois criaria a série Xenoblade Chronicles) ficou sem tempo e sem orçamento para concluir a obra. Para não deixar a narrativa inacabada, a Square tomou uma decisão drástica: cortou masmorras, cidades inteiras e fases planejadas, transformando grande parte do segundo disco em uma espécie de visual novel. Os protagonistas Fei e Elly passam horas sentados em uma cadeira diante de uma tela escura, apenas narrando eventos que o jogador deveria estar vivenciando.
Como a Square Enix parece ter engavetado qualquer plano de um remake oficial, um desenvolvedor independente conhecido como xHannyah decidiu arregaçar as mangas e resolver o trauma histórico dos jogadores por conta própria com o ambicioso Project Animus.
“Um dia você vai levantar daquela cadeira e jogar”
O que torna o Project Animus tão fascinante não é apenas a ambição técnica, mas a paixão autêntica de quem está por trás dele. O próprio criador explicou a motivação que o levou a iniciar o projeto:
“Em 1998, a equipe de Xenogears ficou sem tempo. Por isso, em boa parte do Disco 2, você não joga a história: você apenas senta lá enquanto alguém a conta para você. Jogo Xenogears todo ano desde que tinha 9 anos de idade. Todo ano chego àquela cadeira e desejo poder levantar e jogar aquilo que está sendo narrado. O Disco 2 é a razão de eu ter começado este projeto e é a parte que vai me levar mais tempo. Um dia, você vai encarar aquela cadeira, vai levantar dela e finalmente jogar.”
A proposta para a segunda metade de Xenogears inclui a criação de áreas totalmente jogáveis e exploráveis a pé e a bordo dos Gears, novos chefes opcionais, mais conteúdo de fim de jogo (endgame) e até mesmo a possibilidade de um final alternativo.
O desafio colossal das 682 áreas e o uso de IA
Reconstruir um RPG da escala de Xenogears é um trabalho monumental, especialmente para um projeto tocado por uma única pessoa. O jogo original conta com nada menos que 682 cenários e mapas diferentes.
Para tornar o escopo viável, o desenvolvedor está combinando inteligência artificial e ferramentas modernas de modelagem com refinamento manual:
- Primeira passagem geral: Todas as 682 áreas receberam uma atualização inicial automatizada para suavizar arestas pontiagudas do PS1, dar volume realista a rochas e reconstruir geometrias poligonais duras.
- Refinamento artesanal: As áreas principais estão sendo refeitas à mão, começando pela vila de Lahan, que já pode ser vista em detalhes nos primeiros vídeos divulgados.
- Batalhas a 60 FPS: O sistema de combate com os Gears finalmente abandona a limitação de 30 FPS do console original da Sony, rodando com taxa de quadros destravada a 60 FPS e movimentação fluida.
É verdade que o projeto ainda tem pontos a evoluir — a nova interface de usuário (UI), por exemplo, ainda apresenta um aspecto inicial que divide opiniões —, mas a evolução visual nos cenários e a fidelidade à direção de arte original mostram um cuidado impressionante.
Liberdade total: Nada será retirado da obra original
Um dos maiores receios dos fãs mais puristas quando se fala em remakes feitos por fãs é a descaracterização do material original. Ciente disso, o desenvolvedor garantiu que nenhuma linha de diálogo ou mecânica clássica será apagada:
Ao iniciar um novo jogo, o jogador terá controle total sobre a experiência: poderá escolher entre acompanhar a história original de 1998 ou a versão estendida com o Disco 2 jogável, combinando essa escolha com as regras clássicas de combate do PS1 ou com a jogabilidade retrabalhada. Qualquer combinação entre esses modos será permitida.
Como o Project Animus ainda está em estágio inicial de desenvolvimento, uma data de lançamento ainda não foi definida. Ainda assim, para quem sonhou por quase três décadas em ver Xenogears em sua plenitude, a iniciativa já se consolida como o projeto comunitário mais promissor da história do lendário RPG.
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