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Intel volta ao mercado de memórias após 40 anos para disputar infraestrutura da IA

Gigante dos semicondutores aposta em integração vertical e nova arquitetura de memória para eliminar gargalos da inteligência artificial — mas consumidores domésticos seguem sem alívio imediato.

- 3 min de leitura
Intel volta ao mercado de memórias após 40 anos para disputar infraestrutura da IA

Quatro décadas depois de abandonar a produção de DRAM, em 1985, para concentrar esforços no domínio dos processadores, a Intel anunciou oficialmente seu retorno estratégico ao mercado de memórias. A iniciativa, no entanto, não mira o público doméstico: o alvo é resolver um dos maiores entraves da computação moderna — o fluxo de dados exigido por sistemas de inteligência artificial.

Em meio à corrida global por chips e à pressão nos preços do silício, a Intel aposta em verticalizar parte da cadeia produtiva para evitar que seus aceleradores de IA fiquem limitados pela lentidão no acesso à memória. A empresa quer controlar não apenas o “cérebro” dos sistemas, mas também o caminho por onde os dados circulam.

O fim do gargalo: o que é a Z-Angle Memory (ZAM)

O centro dessa ofensiva é a Z-Angle Memory (ZAM), uma nova arquitetura desenvolvida em parceria com a SaiMemory, subsidiária do grupo japonês SoftBank.

A tecnologia foi pensada especificamente para workloads de IA em larga escala, como Modelos de Linguagem de Grande Porte (LLMs), que exigem transferência contínua de volumes massivos de dados entre processadores e memória.

Diferentemente das soluções atuais de HBM (High Bandwidth Memory), a ZAM promete reduzir drasticamente a latência de acesso, criando caminhos mais curtos e eficientes entre os chips. Na prática, isso permitiria que CPUs e GPUs dedicadas à IA operem mais próximas do seu limite máximo — algo que a DRAM tradicional já não consegue acompanhar.

Integração vertical muda jogo contra rivais

A parceria com a divisão de semicondutores ligada à SoftBank indica uma mudança estratégica clara: a Intel quer diminuir a dependência de fornecedores externos como Samsung e SK Hynix para componentes críticos.

Ao controlar tanto o processamento quanto a memória, a empresa passa a oferecer pacotes completos para grandes data centers e provedores de nuvem — um ecossistema fechado, otimizado de ponta a ponta.

Analistas veem nessa abordagem uma tentativa direta de reposicionar a companhia na corrida da IA, dominada atualmente por soluções altamente integradas.

“A Intel não está voltando para vender commodities; ela quer ditar o padrão da infraestrutura de IA,” avaliam especialistas do setor.

PCs e gamers seguem sem alívio no curto prazo

Apesar do impacto estratégico para a indústria, a notícia não traz boas perspectivas imediatas para usuários domésticos. O mercado de PCs continua enfrentando dificuldades no fornecimento de módulos DDR5, com estoques restritos e preços elevados.

Com fabricantes priorizando memórias de alto valor agregado voltadas para servidores e aceleradores de IA — como HBM e, agora, a própria ZAM —, a produção destinada ao consumidor final segue em segundo plano.

Para gamers, criadores de conteúdo e profissionais que dependem de grandes quantidades de RAM, o retorno da Intel ao setor representa, por ora, um movimento distante, sem reflexo direto no bolso ou nas prateleiras das lojas.

O que essa movimentação revela sobre o mercado

O anúncio reforça uma tendência clara: a infraestrutura de IA se tornou prioridade absoluta para a indústria de semicondutores. Empresas estão dispostas a investir bilhões em novas fábricas, arquiteturas e parcerias para garantir fornecimento próprio e vantagem competitiva.

No curto prazo, isso pode manter pressionado o segmento de PCs tradicionais. No longo, porém, a expansão da capacidade produtiva tende a beneficiar toda a cadeia — inclusive consumidores finais — quando a corrida por IA começar a estabilizar.

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Marcus é o fundador da Seletronic. Além disso, é programador, e editor no site. Ama ajudar as pessoas a resolverem problemas com tecnologia, por isso criou esse site. Segundo ele: "A tecnologia foi feita para facilitar a vida das pessoas, então devemos ensinar a usá-la". Apesar de respirar tecnologia, ama plantas, animais exóticos e cozinhar.

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