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Famoso por apagar o Windows dos jogadores: um dos RPGs de D&D mais bugados da história volta à vida no PC após 25 anos

Relançado pela SNEG no Steam e no GOG, o clássico cult Pool of Radiance: Ruins of Myth Drannor deixa para trás a falha catastrófica de desinstalação de 2001 e ganha suporte a widescreen, controles e velocidade ajustável

Famoso por apagar o Windows dos jogadores: um dos RPGs de D&D mais bugados da história volta à vida no PC após 25 anos

Na história dos jogos de computador, poucos lançamentos conquistaram uma reputação tão lendária — e assustadora — quanto Pool of Radiance: Ruins of Myth Drannor. Quando chegou às prateleiras em setembro de 2001, desenvolvido pela Stormfront Studios e publicado pela Ubisoft, o RPG baseado em Dungeons & Dragons não tinha apenas erros que corrompiam salvamentos ou faziam itens obrigatórios de missões desaparecerem no ar: o seu desinstalador original continha uma falha catastrófica que simplesmente deletava arquivos vitais do próprio Windows, impedindo o PC do jogador de inicializar.

Agora, exatos 25 anos após causar pânico nos discos rígidos do início dos anos 2000, o título está oficialmente de volta. A publicadora especialista em preservação de clássicos SNEG acaba de relançar Pool of Radiance: Ruins of Myth Drannor em versões totalmente corrigidas e modernizadas para Windows moderno no Steam e no GOG.

O que mudou no relançamento: adeus aos bugs fatais e suporte moderno

Em 2001, a recepção técnica do jogo foi tão turbulenta que a imprensa especializada da época comparou o desastre ao infame lançamento de Daikatana:

“Desde a infame estreia de Daikatana, o lançamento de um único jogo não gerava tanta indignação furiosa entre os primeiros compradores.”

Felizmente, a nova edição preparada pela SNEG erradica tanto o lendário bug do desinstalador quanto os travamentos crônicos que tornavam a campanha quase impossível de ser concluída sem pacotes de correção feitos por fãs. Além da estabilidade no Windows 10 e Windows 11, o relançamento adiciona uma série de melhorias de qualidade de vida essenciais para um dungeon crawler daquela época:

  • Suporte nativo a telas Widescreen e visuais com nitidez aprimorada;
  • Velocidade de combate ajustável, resolvendo uma das maiores queixas do jogo original (a lentidão extrema das animações dos inimigos nas masmorras);
  • Suporte completo a controles (gamepads), além de uma nova barra de ações rápida e dicas de interface (tooltips) detalhadas.

Arte oficial de Pool of Radiance: Ruins of Myth Drannor mostrando o confronto contra o dracolich nas ruínas élficas

O elo perdido da Terceira Edição de Dungeons & Dragons

Mesmo sem os erros técnicos, vale entender o que Ruins of Myth Drannor realmente é. Ao contrário de obras-primas incompreendidas como Vampire: The Masquerade – Bloodlines, o jogo de 2001 não é um RPG complexo cheio de ramificações narrativas, mas sim um explorador de masmorras tático em turnos (dungeon crawler) criado como sucessor espiritual do clássico Pool of Radiance (1988), o primeiro jogo da histórica linha Gold Box.

O seu grande papel histórico foi adaptar, pela primeira vez nos videogames, as regras da então recém-lançada Terceira Edição (3.0) de Dungeons & Dragons — o sistema que revolucionou o RPG de mesa ao aposentar o confuso cálculo de classe de armadura negativa (THAC0) e padronizar a mecânica moderna de rolar um dado de 20 lados (d20) somado aos modificadores para superar um nível de dificuldade, base direta da atual 5ª Edição eternizada por Baldur’s Gate 3.

A adaptação de 2001, contudo, ainda era simplificada em comparação ao que The Temple of Elemental Evil faria poucos anos depois com a revisão 3.5: em Ruins of Myth Drannor, não é possível criar magos tradicionais (Wizards, apenas feiticeiros Sorcerers), gnomos ou pequeninos (Halflings), e a distribuição de perícias ao subir de nível ocorre de maneira automática.

Ainda assim, a premissa tem o seu charme nostálgico: ambientada dez anos após o jogo original na cidade élfica arruinada de Myth Drannor, a história coloca o jogador no controle da “equipe B” de aventureiros enviada pelo mago Elminster depois que o grupo principal de heróis desaparece em um acidente de portal mágico. Para quem gosta de combates táticos em turnos despretensiosos contra hordas de esqueletos, orcs e um dracolich, o clássico enfim pode ser jogado sem colocar o sistema operacional em risco.

Pedro Henrique

Blogueiro, apaixonado por jogos, gosta de pesquisar e estar informado sobre novidades do mundo tecnológico.
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