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Venda de Celulares Desaba 20% e Qualcomm Mira Mercado de Data Centers e Servidores de IA

Com a retração do mercado de smartphones, a dona da linha Snapdragon projeta que servidores de inteligência artificial responderão por 30% da sua receita.

Venda de Celulares Desaba 20% e Qualcomm Mira Mercado de Data Centers e Servidores de IA

Diante de uma retração de cerca de 20% nas vendas globais de celulares em comparação com o ano anterior, a Qualcomm decidiu acelerar uma profunda transformação em seu modelo de negócios. A gigante dos semicondutores, historicamente associada aos processadores Snapdragon que alimentam boa parte dos smartphones Android do planeta, anunciou planos agressivos para transformar os centros de dados e servidores de inteligência artificial em sua principal alavanca de crescimento financeiro.

Apresentada durante a conferência de resultados do quarto trimestre de 2026, a nova diretriz estratégica projeta que os chips voltados para infraestrutura em nuvem e aceleração de IA respondam por aproximadamente 30% de toda a receita da companhia nos próximos anos.

De US$ 650 milhões a US$ 15 bilhões: a escalada da Qualcomm na nuvem

Para viabilizar a transição e desafiar a liderança de veteranas como Nvidia e AMD no fornecimento corporativo, a empresa firmou parcerias com gigantes da computação em hiperescala, como Amazon (AWS) e Meta. Os frutos desses acordos já têm cronograma definido de expansão:

  • Início de 2027: Previsão de faturar cerca de US$ 650 milhões no segmento de data centers logo no primeiro trimestre fiscal.
  • Final de 2027: Projeção acelerada para alcançar US$ 5 bilhões acumulados no setor corporativo.
  • Meta para 2029: Atingir a expressiva marca de US$ 15 bilhões anuais apenas com processamento de IA em nuvem.

Se considerarmos que o faturamento global da Qualcomm em 2026 fechou em US$ 10,4 bilhões, a meta de US$ 15 bilhões até o final da década ilustra que a empresa não busca apenas complementar suas contas, mas reinventar seu próprio centro de gravidade financeiro.

A desaceleração dos celulares e a corrida do ouro da IA

O mercado consumidor de smartphones atingiu um ponto de saturação acentuado. Ciclos mais longos de troca de aparelhos por parte dos usuários, avanços incrementais entre uma geração e outra e o encarecimento de componentes essenciais como memórias DRAM reduziram a margem de lucro e o volume de remessas das fabricantes.

Enquanto isso, a demanda corporativa por poder computacional para treinamento e inferência de modelos de linguagem e visão computacional continua desprovida de limites claros.

“Com a venda de aparelhos móveis enfrentando retração acentuada, redirecionar o silício para a arquitetura de data centers é o movimento natural de sobrevivência e expansão para qualquer grande fabricante de semicondutores.”

Embora a meta de 30% da Qualcomm seja mais comedida que a da rival AMD — que já antecipa que mais de 80% do seu faturamento virá de centros de dados —, a guinada reforça a tendência irreversível da indústria: o futuro da computação de alta lucratividade não está mais apenas nas mãos dos consumidores nos bolsos, mas sim nos bastidores dos grandes servidores que sustentam a inteligência artificial.

Marcus Tavares

Marcus é o fundador da Seletronic. Além disso, é programador, e editor no site. Ama ajudar as pessoas a resolverem problemas com tecnologia, por isso criou esse site. Segundo ele: "A tecnologia foi feita para facilitar a vida das pessoas, então devemos ensinar a usá-la". Apesar de respirar tecnologia, ama plantas, animais exóticos e cozinhar.
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