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Precisou faltar memória no mercado: como a disparada no preço da RAM finalmente forçou a Microsoft a enxugar o Windows 11

Com kits DDR5 passando de US$ 500 e freando vendas de PCs, Microsoft impõe "orçamentos de memória" no sistema e Discord troca o pesado Electron pelo Rust.

Precisou faltar memória no mercado: como a disparada no preço da RAM finalmente forçou a Microsoft a enxugar o Windows 11

Durante anos, a resposta padrão da indústria de tecnologia para qualquer computador engasgando com aplicativos pesados era simples: “basta colocar mais memória RAM”. Com pentes DDR4 e DDR5 custando barato nas prateleiras, desenvolvedores e gigantes do software se acostumaram a lançar programas cada vez mais inchados sem se preocupar com o desperdício de recursos. Agora, porém, o jogo virou da pior maneira possível — e foi preciso uma crise global de escassez e preços de chips de memória para que a Microsoft e grandes plataformas finalmente levassem a otimização do Windows 11 a sério.

Nas últimas semanas, uma onda inédita de atualizações focadas em economia de memória tomou conta do ecossistema de PCs. A Microsoft passou a impor rígidos “orçamentos de memória” (memory budgets) dentro do Windows 11 — chegando a bloquear o pré-carregamento de bloatwares e processos secundários em máquinas com 8 GB de RAM —, enquanto o Discord abandonou a famigerada estrutura Electron em favor de um novo cliente de desktop reescrito em Rust, reduzindo drasticamente o consumo de RAM e energia durante jogos.

Quando 32 GB de RAM saltam de US$ 180 para mais de US$ 500

O motivo por trás dessa súbita conversão coletiva à eficiência de código não foi bondade com o consumidor, mas pura sobrevivência de mercado. Como as fabricantes de computadores não conseguem fabricar wafers de silício da noite para o dia — já que grande parte da produção mundial de DRAM foi engolida pelos servidores de inteligência artificial —, a disparada nos custos dos componentes inviabilizou o antigo hábito de empurrar upgrades de hardware para compensar softwares mal otimizados.

Um exemplo claro do choque de preços está nos kits de memória entusiasta e intermediária: em 2023 e até meados de setembro de 2025, um kit Corsair Vengeance de 32 GB DDR5 (5200 MHz) era facilmente encontrado em promoções por cerca de US$ 180 (ante o preço cheio de US$ 250). Hoje, esse exato mesmo módulo ultrapassa a barreira dos US$ 500 no varejo norte-americano, tornando proibitivo encontrar notebooks intermediários com 16 GB de RAM e boas especificações abaixo da faixa de mil dólares.

Teste prático do Windows 11 otimizado rodando em notebook ultrafino de 8 GB de RAM

O Windows 11 sempre pôde ser mais leve — só faltava incentivo financeiro

Em testes práticos realizados recentemente em notebooks de entrada como o Acer Swift Air 14 equipado com 8 GB de RAM, as compilações mais recentes do Windows 11 provaram que o sistema operacional consegue rodar com muito mais fluidez e folga de memória do que entregava há apenas alguns meses.

Desde o seu lançamento original, o Windows 11 acumulou dezenas de serviços em segundo plano, painéis baseados em WebView2, widgets e integrações de IA sem que o custo de memória em repouso (idle overhead) fosse tratado como prioridade pelos engenheiros em Redmond. Enquanto a RAM era barata e abundante, o sistema podia devorar gigabytes invisíveis sem travar a máquina do usuário médio.

Agora, diante da queda nas vendas de PCs provocada pela inflação dos componentes, tanto a Microsoft quanto desenvolvedores terceiros descobriram que enxugar código, eliminar frameworks web pesados como o Electron e respeitar limites estritos de alocação de memória era perfeitamente possível desde o início. Para quem possui um notebook de 8 GB ou não pretende pagar preços de placa de vídeo em um kit DDR5 novo em 2026, o efeito colateral dessa crise de hardware acabou trazendo o alívio de software que os usuários pediam há meia década.

Marcus Tavares

Marcus é o fundador da Seletronic. Além disso, é programador, e editor no site. Ama ajudar as pessoas a resolverem problemas com tecnologia, por isso criou esse site. Segundo ele: "A tecnologia foi feita para facilitar a vida das pessoas, então devemos ensinar a usá-la". Apesar de respirar tecnologia, ama plantas, animais exóticos e cozinhar.
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