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Bomba nas Smart TVs: Fox compra a Roku por R$ 125 bilhões e assume o controle de gigante do streaming

Negócio histórico de US$ 22 bilhões coloca um dos sistemas operacionais de televisão mais populares do mundo e do Brasil sob o guarda-chuva do conglomerado de mídia norte-americano; fundador Anthony Wood garante que plataforma continuará aberta para rivais.

Controle remoto Roku com direcional roxo e aparelho de streaming ao lado de Smart TV iluminada em sala de estar moderna

O tabuleiro global da televisão conectada e do entretenimento digital acaba de passar por uma de suas maiores reviravoltas da década. A gigante de mídia norte-americana Fox anunciou oficialmente a conclusão da compra da Roku em uma transação monumental avaliada em US$ 22 bilhões (cerca de R$ 125 bilhões em conversão direta). Com o fechamento definitivo do negócio, anunciado inicialmente em junho, o conglomerado passa a deter o controle direto de uma das maiores plataformas de distribuição de streaming e sistemas operacionais para Smart TVs do planeta, presente em mais de 100 milhões de residências apenas nos Estados Unidos e com forte penetração na América Latina.

Para o consumidor brasileiro, o movimento atinge diretamente um ecossistema que se tornou onipresente na sala de estar nos últimos anos. Além dos populares dispositivos de mídia Roku Express — famosos por transformarem televisores antigos em centrais inteligentes —, o sistema operacional Roku TV vem embarcado de fábrica em milhões de aparelhos vendidos no país por marcas como AOC, Philco, TCL, Semp e Britânia.

O plano da Fox: dominar a tela inicial da sala de estar

Ao adquirir a Roku, a Fox deixa de ser apenas uma produtora de canais e conteúdos esportivos ou jornalísticos que precisa negociar espaço em plataformas de terceiros e passa a ser a dona do próprio balcão de distribuição. A estratégia liderada pelo CEO da Fox, Lachlan Murdoch, visa integrar profundamente o portfólio do grupo — que inclui transmissões ao vivo da Fox Sports, canais de notícias locais, o serviço por assinatura Fox One e a plataforma gratuita Tubi — à infraestrutura tecnológica e publicitária do The Roku Channel.

“Esperamos ampliar de forma expressiva nossa audiência combinando a tecnologia de ponta da Roku, o alcance massivo de sua plataforma, o catálogo formidável do The Roku Channel e todo o conteúdo ao vivo que a Fox traz para a mesa”, destacou Lachlan Murdoch ao detalhar a sinergia da fusão.

No modelo de negócios das Smart TVs modernas, quem controla a tela inicial (Home Screen) controla a atenção do espectador e uma fatia bilionária de anúncios segmentados. Com a união do Tubi e do The Roku Channel sob o mesmo teto corporativo, a Fox se consolida instantaneamente como a força dominante no segmento FAST (canais gratuitos de streaming suportados por publicidade), rivalizando frente a frente com a Pluto TV (da Paramount) e o Samsung TV Plus.

O que muda para quem tem uma Roku TV ou Roku Express?

A principal preocupação levantada por usuários e analistas de mercado desde o anúncio das negociações era o risco de a Roku perder a sua famosa neutralidade. Historicamente, o grande trunfo do sistema criado por Anthony Wood sempre foi funcionar como uma plataforma agnóstica e imparcial, onde aplicativos rivais — como Netflix, Prime Video, Disney+, Globoplay, Max e YouTube — competem em igualdade de condições, sem favorecer um estúdio específico.

Em comunicado oficial após a conclusão da venda, o fundador Anthony Wood — que agora passa a ocupar uma cadeira no conselho de administração da própria Fox — tratou de acalmar os proprietários de televisores e dongles da marca, garantindo que a natureza aberta do sistema operacional não será alterada:

“Fundamos a Roku há mais de duas décadas com a missão de oferecer às pessoas uma maneira melhor e mais simples de assistir à televisão, e essa missão não muda hoje. O que muda é o nosso alcance e os nossos recursos financeiros. A Fox tem profundo respeito pela cultura da Roku e compartilha integralmente o nosso compromisso de permanecer uma plataforma aberta para todos os parceiros de conteúdo.”

Na prática, nenhum aplicativo deixará de funcionar nos televisores ou aparelhos Roku já instalados. A mudança mais visível no médio prazo deverá ocorrer nas vitrines de recomendações e nos banners de destaque da interface principal, que naturalmente passarão a dar maior visibilidade para transmissões esportivas, eventos ao vivo e canais gratuitos pertencentes ao ecossistema da Fox.

Rogério Tavares

Inovador tecnológico com uma paixão por desbravar os limites da pesquisa. Enquanto não estou imerso em experimentos e descobertas, domino o mundo dos jogos mobile. 🚀🎮
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